Ficha Técnica
Título: Fight Night: The Million Dollar Heist
Direção: Timothy Scott Bogart
Elenco Principal: Kevin Hart, Samuel L. Jackson, Taraji P. Henson
Gênero: Crime, Drama, Suspense
Ano de Lançamento: 2024
Plataforma de Streaming: Netflix
O cenário é o submundo
de Atlanta nos anos 70. No enredo humor, sangue, máfia, política e a verdadeira arte
nobre. Estes ingredientes por si já sinalizam um bom plot, mas munido de um
roteiro instigante, coeso e bem estruturado , esta minissérie disponível no
streaming da Disney arrisca estrelas entre as minhas favoritas dos últimos
tempos.
A historia livremente inspirada em fatos reais gira em torno do infame assalto que ocorreu após uma luta de boxe lendária - um evento que abalou o submundo do crime e a elite esportiva dos anos 70. Kevin Hart entrega aquele timing cômico impecável, fazendo com que até os momentos de tensão tenham uma pitada de carisma. Samuel L. Jackson, por sua vez, entra em cena com sua habitual imponência, apenas para comprovar se ele te encarar sério por mais de três segundos, você automaticamente confessará algo que nem fez.
Com um contexto histórico fascinante, explica a influência de Muhammad Ali no mundo do boxe e na cultura da época. Ali foi uma das figuras mais polarizadoras de sua geração, não apenas por sua habilidade no ringue, mas também por sua postura política. Em 1967, no auge de sua carreira, Ali recusou-se a se alistar para a Guerra do Vietnã, alegando motivos religiosos e declarando sua famosa frase: "Eu não tenho nada contra o Vietcongue; nenhum deles jamais me chamou de 'negro'." Essa decisão lhe custou o título mundial e gerou uma rejeição pública massiva nos Estados Unidos, especialmente entre os setores mais conservadores da sociedade. Ele foi proibido de lutar por anos e teve que enfrentar batalhas jurídicas que culminaram na reversão de sua condenação pela Suprema Corte em 1971. Esse período marcou uma transformação significativa na cultura americana, evidenciando tensões raciais e políticas que reverberam até hoje.Além de ação e humor, ainda tem aquela dose de cultura que faz você parecer inteligente ao comentar sobre a série no grupo da família.
O ritmo de edição da minissérie Fight Night pode ser comparado a um combate de boxe bem disputado e a trilha sonora é pra fazer qualquer esqueleto balançar. Soul, Jazz, R&B e muito groove embalam os episódios que também são abrilhantados pelo elenco feminino de autênticas Black Queens: mulheres negras que exalam poder, sedução e autoconfiança.
Direção de arte primorosa com destaque para as externas: locações ambientadas com atenção meticulosa aos detalhes, desde arquitetura até a paleta de cores trazendo uma autenticidade quase documental. Destaque para o figurino que captura perfeitamente o estilo da época. Ternos bem cortados, jaquetas de couro, vestidos sofisticados e até os pequenos detalhes, como os óculos escuros estilosos e os relógios extravagantes, conferem autenticidade à produção. Cada peça de roupa parece contar uma história sobre quem a veste, ajudando a construir os personagens de maneira visualmente impactante.
Entre golpes literais e figurativos, Fight Night me fisgou. Afiado como um uppercut e uma estética que transpira autenticidade, Fight Night é aquele tipo de história que te lembra que, no fim das contas, o verdadeiro golpe sempre acontece fora do ringue.
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